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Gestão de Estoque no Varejo: A Importância e Como Fazer

  • Gestão de estoque é uma função importante para aumentar o giro de mercadorias e também para evitar sua escassez.
  • Se a saída de um produto é boa, significa que a empresa está lucrando, mas sua falta também pode gerar insatisfação no cliente.
  • Existem quatro modelos principais de estoque e cada comércio deve manter os que mais se adequam à sua demanda e estrutura.
  • Otimizar a gestão é uma forma de tornar a produção eficiente e também ajuda a alcançar boas metas de negócio.

Quem possui experiência em trabalhar com varejo sabe que um dos principais desafios é lidar com a gestão de estoque. Para exercer bem essa função, é fundamental abastecer o comércio com mercadorias, tomando cuidado para evitar excessos e, dessa forma, não fazer gastos desnecessários e evitar o acúmulo de produtos e a consequente falta de espaço nos locais de armazenamento.

Por outro lado, a escassez de mercadorias também pode gerar prejuízos ao negócio, pois se o cliente não estiver disposto a esperar o produto chegar, ele pode se frustrar com a empresa e até mesmo comprar de um concorrente. Esse é um fenômeno chamado de “ruptura” que, segundo um levantamento feito pela revista Exame, é responsável por cerca de 5% a 10% de queda nas vendas.

Não existe uma fórmula perfeita para gerir o estoque. Nesse caso, o mais importante é fazê-lo em função do consumidor final. Entretanto, há algumas alternativas que podem ajudar a diagnosticar problemas e corrigir erros que poderiam causar prejuízos financeiros para o varejista.

Qual a Importância da Gestão de Estoque para o Varejo

Um erro comum de quem lida com gestão de estoque é achar que, se houver muitas mercadorias armazenadas disponíveis, o comércio estará abastecido e, portanto, isso seria algo positivo – mas, na realidade, não é bem assim. Se os produtos estão há muito tempo parados, podem ficar sujeitos a sofrer obsolescência e, com isso, a loja pode ter perdas e danos. Além disso, há chances maiores de haver furtos e fraudes com esses produtos.

É importante que um produto tenha um bom giro, pois isso significa que está gerando lucro para aquele comércio. No entanto, é preciso ter cuidado para não atingir o outro extremo: a falta de estoque e a demora para reposição também podem ser fatores de preocupação para o negócio.

De acordo com o mesmo estudo publicado pela revista Exame, 32% dos entrevistados responderam que quando não encontram o produto em uma loja, decidem procurar em outros locais e, assim, fazem a compra em um outro estabelecimento, beneficiando a concorrência.

Por isso, uma gestão eficiente é importante para evitar gastos desnecessários e também para proporcionar uma melhor experiência de compra ao cliente – o que, na prática, representa menos gastos e mais lucro.

Os tipos de estoque

A definição do melhor tipo de estoque é individualizada e depende de cada comércio, da estratégia adotada por ele e do tipo de produto que é comercializado. Entre os principais, podemos citar quatro:

1. Estoque de Ciclo

Muitas empresas fabricam uma grande quantidade de produtos que possuem demandas constantes, mas diferentes para cada item. Nesse caso, o gestor deve programar a reposição de estoque para não haver buracos na hora de suprir a demanda.

Um bom exemplo disso é o que ocorre nas padarias. Um padeiro pode ser capaz de produzir 5 sabores de pães, mas ele não poderá fazer todos juntos; terá que confeccionar um tipo de cada vez. Porém, enquanto estiver fazendo um dos tipos, ele precisa garantir que não haverá falta dos outros 4 e, por isso, sua produção e a organização de seus insumos devem ser feitas de acordo com a demanda de cada sabor.

2. Estoque de Antecipação

O estoque de antecipação também é conhecido como estoque sazonal. Nesse método, o gerenciador aumenta a quantidade de produtos armazenados prevendo alguma possível mudança na oferta ou na demanda.

Ele pode prever padrões de aumento do consumo conhecidos para adotar este tipo de armazenamento, como uma data comemorativa ou uma época do ano que favorece a venda de determinados produtos, e, dessa forma, as mercadorias com uma saída maior não ficarão em falta nas lojas.

Além disso, esse método também pode ser adotado quando o gerenciador sabe que haverá pouca oferta de um determinado produto, como ocorre, por exemplo, no setor de alimentos, em que há épocas específicas para a colheita de cada insumo. Quando prever isso, ele poderá aproveitar para fazer uma compra maior de um item, para que não haja escassez nas lojas.

3. Estoque Regulador

O estoque regulador ou de segurança recebe esse nome porque protege a loja da falta de algum produto. Nesse exemplo, uma quantidade mínima de um produto sempre é armazenada para o caso de ocorrer um aumento inesperado nas vendas ou de problemas no abastecimento de algum item.

Essa estratégia é bastante utilizada por lojas que possuem filiais. Nesse caso, geralmente a unidade que possui maior espaço e melhor localização fica responsável por manter esses produtos estocados. Quando começam a faltar em alguma unidade da rede, aqueles que estavam armazenados são deslocados para poder suprir a demanda.

4. Estoque em Trânsito

O estoque em trânsito ou de canal se refere aos produtos que estão sendo transportados para a empresa ou para outro depósito.

Embora seja um estoque intermediário, é importante contabilizar essas mercadorias, pois, em algumas situações, seu transporte pode demorar dias e, caso não esteja sendo controlado, pode ocorrer uma compra desnecessária de um item que já estava a caminho da loja.

Informações completas sobre a carga, como tempo previsto de viagem e quantidade de mercadoria, também podem ajudar a preparar a venda do produto e planejar promoções para quando ele chegar.

3 Dicas para Otimizar a sua Gestão de Estoque

Cada estoque pode ser otimizado de maneira adequada ao seu próprio perfil de vendas. No entanto, há três dicas que podem beneficiar uma série de segmentos comerciais para ajudar a aumentar o lucro e a diminuir os gastos:

1. Atenção aos indicadores

As estratégias para a gestão de estoque são apenas uma parte do que a empresa deve fazer para gerir bem os seus recursos. No entanto, o que mostra se ela está sendo bem sucedida são os indicadores, que ajudam a verificar se os objetivos estão sendo alcançados e quais medidas devem ser tomadas.

Um dos principais fatores que devem ser observados é o giro de estoque. Saber o tempo médio que um produto fica armazenado ajuda a identificar quais são os mais e os menos vendidos, o que é fundamental para traçar estratégias para uma boa gestão.

Também é importante observar a disponibilidade em gôndola, que ajuda a diagnosticar a razão da falta de um determinado produto na prateleira. Essa informação é útil para determinar as ações para a reposição dos itens da loja.

Outros indicadores importantes são a lucratividade e o impacto no faturamento, que ajudam a analisar as perdas e ganhos financeiros do comércio.

2. Soluções para mercadorias sem giro

Manter itens que vendem pouco ou que não têm saída não dá um retorno satisfatório para a empresa, pois ocupam espaço no depósito e é um desperdício de dinheiro comprá-los.

Portanto, mantê-los no estoque significa prejuízo e o melhor a se fazer é criar ofertas ou kits promocionais para melhorar a saída, aumentando o ganho financeiro e o espaço para armazenamento de outros produtos mais lucrativos.

3. Investimento em Tecnologia

O gestor de estoque precisa levantar muitas informações, algumas delas de forma repetitiva. Muitas vezes, o controle manual é demorado e impreciso, o que pode acabar sendo ineficaz. O uso da tecnologia pode melhorar a produtividade, tornar o processo mais ágil e diminuir os custos.

Soluções tecnológicas também ajudam a obter dados mais precisos sobre a quantidade de uma mercadoria, o valor em estoque e dados sobre as vendas, ajudando a comprar os produtos necessários nas quantidades adequadas, o que é o ideal para reduzir as falhas humanas na contagem e nos cálculos.

Conclusão

A gestão de estoque é uma função da empresa que precisa ser bem executada para evitar prejuízos financeiros. O depósito não pode ser abastecido com mercadorias que ficam paradas, sem dar nenhum lucro, mas também não pode haver falta de suprimentos, pois se o cliente não encontrar o que procura, ele pode ficar insatisfeito e comprar de um concorrente.

Existem quatro modelos de gestão que são os mais conhecidos e cada um deles pode ser ideal para um determinado tipo de negócio. Isso pode variar de acordo com a estrutura e a demanda de cada um.

Qualquer tipo de comércio pode ser beneficiado através da otimização da gestão. Isso pode ser feito usando indicadores para avaliar os resultados; buscando formas de lucrar com mercadorias com pouco ou nenhum giro e usando a tecnologia como forma de melhorar a produtividade, aumentar a agilidade e diminuir as falhas humanas na obtenção de dados sobre o armazenamento e saída dos produtos.

Com relação a esse assunto, não há nenhuma fórmula mágica, mas o comerciante que usa bons métodos para diagnosticar os problemas de seu estoque terá mais facilidade de encontrar soluções, tornando-o ainda mais eficaz.

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